terça-feira, 30 de junho de 2015

Democracia, Estelionatários e o protagonismo da Juventude e da CNBB. Rascunho sobre a Derrubada da PEC 171

Com faixa, estudantes ocupam faixas da Esplanada dos Ministérios em ato contra a redução da maioridade penal (Foto: Luciana Amaral/G1)

Rascunhei muitos textos nas últimas semanas para reafirmar meu ponto sobre a falácia da Redução da Maioridade Penal, que foi ao plenário da Câmara dos deputados por obra do acaso ou da realidade sob a alcunha de PEC171, mesma numeração do crime de estelionato no Código Penal.

E com o modus operandi do tipo penal do art. 171 do CP, a ideia da Redução como um instrumento de diminuição da violência foi ganhando força na sociedade.  Estelionato é caracterizado pela  obtenção de vantagem indevida a partir da ignorância alheia... Era o que buscavam as bancadas da Bala e da Bíblia, vender uma ideia falaciosa, qual faleceu por todos os países qual passeou, de que a violência se combate com o simples encarceramento. Ressalto que não existem dados científicos que corroborem com esta natimorta tese.  

Não irei me alongar neste longo debate recheado de números que provam que a redução apenas afeta aos mais pobres, menos instruídos e de maior concentração  de melanina.  Não vou repetir que em um país recheado pelo racismo e o ódio de classes, onde o mesmo jornal que chama jovens de classe média de "supostos agressores"  ou "justiceiros" pegos em flagrante chama jovens negros de "marginais" ou "bandidos" sem qualquer apuração real dos fatos por ele narrado.  

Não irei iniciar essa discussão por  que escrevo hoje para comemorar a vitória da Democracia, do Estado Democrático de Direito, a vitória da Constituição Federal e da luta pela justiça social neste país. A Vitória da periferia, das minorias majoritárias na sociedade sobre a mídia que fabrica a opinião popular de cada dia, que imprime o que lhe é conveniente e faz disso a única verdade, branca, superior e divina, regida pelos grandes detentores do capital.

Vencemos a ignorância e a falta de humanidade dos "homens de deus", e refutamos o grande constitucionalista Marco Feliciano em sua afirmação que "a democracia é o governo da maioria, e a não devemos nos curvar a minoria ela deve se calar", que, apesar de brilhantemente facista, descobriu hoje que a democracia é o respeito as minorias, a Minoria de 108 guerreiros que foi grande o suficiente para calar e derrotar cada um dos 303 estelionatários com foro privilegiado presentes a Casa do Povo.

Vale ressaltar que muitos intelectuais e estudiosos já depositavam suas esperanças no Senado, os mais desesperados no STF para salvar o país do desastre 171, mas subestimar a mobilização da juventude é um erro que levou a ruína todos os  impérios que o fizeram.

Vencemos, não pela primeira e nem pela última vez esta árdua guerra. Por hora vale destacar com todos os méritos a atuação da CNBB, da União Nacional dos Estudantes e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, juntamente com todas as suas entidades regionais qual fizeram a linha de frente deste movimento que nos impediu de retornar a um passado tão distante que nem Foucalt gostaria de lembrar.

Enfim, VENCEMOS!
Painéis Contra a Redução da Maioridade Penal feitos pela PUCPR

VITÓRIAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!
Posted by Jandira Feghali on Terça, 30 de junho de 2015


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Aos 23

Dança pra mim morena
deixa eu cantar teus passos
o som da bateria
aperta mais esses laços

Vem pra roda morena
que a noite é longa e bela
Me deixa te dar esse poema
e te pintar em uma aquarela

Quero gravar teu sorriso
numa música aos 23
e viver cada dia por isso
Na Cidade Velha, em Copacabana ou nas Mercês.

Desculpe-me por estes versos
Que não são nem um samba, nem um soneto
Apenas um alento, um momento, um intento...

Que os anos passem
como o tempo a um doce vinho da Itália
minha doce...





Daniel Gaspar

sábado, 31 de janeiro de 2015

Morena Canta Tapajós

Morena canta para mim
Canta tapajós
Ilumina o jardim
Com a força da tua voz
                                           
Morena Sol Maior
Amor que vem sem Dó
O carinho que ha em Mi
Me leva para Lá
                                               
Quero ouvir o batuque
Que vem do teu rebolado
No tambor ser teu truque
Estar cada nota ao teu lado

Vem dançar e sorrir
No samba ou no Carimbó   
E não me deixe partir          
Ou ficar neste acorde Só.

Em Santarém ou na Mangueira 
No Copa ou Pitombeira
Em todo carnaval
Quero que sejas a cura do meu mal

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Renunciação

Eu renuncio ao amor.
Renuncio ao direito de amar
Para desespero de meus companheiros
Para o choque dos antepassados

Eu renuncio
ao direito de chorar e fazer chorar
Renuncio ao direito de sofrer e fazer sofrer
Renuncio a renunciar a tudo.

Eu renuncio em prol do direito de viver
Viver o sorriso
Viver o hoje
Viver o amanhã  incerto e vivido a cada momento

Renuncio o amor
Para não ter prisioneiros
E nem prisioneiro ser

Renuncio o amor
Para viver cada pessoa nova
Cada canção exposta.
Pelas alegrias que pode-se ter juntos
Ou separados.

Renuncio a escrever no cabresto
Liberto minha voz criativa e minhas palavras
Da ditadura do imbecil coração

Renuncio às  decepções
Às falsas esperanças
Às certezas eternas

Renuncio a vida cega
Pelo direito de deixar a vida me levar
Por entre acordes e poesias
Pelo direito de me apaixonar e reapaixonar
por mim e pelo mundo, a cada esquina...

Renuncio o direito de amar
Pelo direito de amar a Vida.

domingo, 11 de janeiro de 2015

O sonho do som do sorriso

Ouça a voz, sinta o sorriso na vibração de cada tom que vem de seus lábios. Faça disso sua morada e durma feliz na rede atada na curva do sorriso dela...
Pela primeira vez...
Aplaque a saudade de seus olhos
Com o brilho das estrelas de Libra
Sinta o abraço da noite
Deixe mensagem na caixa postal
Contando os planos q você nunca confessou
Respire...
Aceite o tempo
Encontre na distância o ombro que afaga sua falta...
Admita que é dela o cheiro de todas as flores
Sinta seu calor na areia da praia
Deixe q o mar leve de ti p ela
O carinho que vc a deseja
Deixe o rio correr para o Mar...
Na força q só ela tem...
"quem tem essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida"
Ouça a voz, sinta o sorriso na vibração de cada tom que vem de seus lábios. Faça disso sua morada e durma feliz na rede atada na curva do sorriso dela, ainda que seja pela última vez.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

O Desafio da Democracia.



A democracia sempre foi um desafio para o povo brasileiro, um desafio difícil de ser entendido e de ser aceito.  Não haveria de ser diferente em uma sociedade marcada por diferenças, preconceitos, medos, ignorância e pelo autoritarismo de Estado e das classes dominantes e médias.  Costumeiramente no Brasil, sempre e que se há um avanço democrático há uma contra resposta autoritária, retrógada de força maior e qual tende a anular os avanços anteriores. Assim foi na revolução Cabana, na inconfidência mineira, na revolta dos malês, na confederação do equador, nas reformas de base de João Goulart e inclusive na proclamação da república.

Eis que o grande desafio se forma para a jovem e problemática democracia brasileira. Aprender a segurar o impulso autoritário, bem como a coexistência racional entre o antagonismo ideológico que é natural de todas as democracias consolidadas ou seculares.
Robert Dahl

Para Robert Dahl, pensador inglês ícone do século XX, em seu texto Poliarquia, a democracia se caracteriza basicamente por dois elementos, quais segundo ele poderiam ser postos em um gráfico cartesiano como as variáveis X e Y, onde X seria a participação da população e y seria a livre expressão, aqui compreendida como a liberdade de oposições entre os diferentes pensamentos. Quanto maior o nível das dos dois elementos em uma sociedade, mais democrática se mostraria a mesma. Ou seja, é possível você ter grande participação popular e não ter liberdade de oposições, como na Alemanha nazista, e também é possível você ter liberdade de oposições e não ter participação popular, como no segundo período da revolução francesa ou em estados teocráticos.

Com esse conceito na mesa podemos perceber que a nossa democracia ainda tem muito a caminhar, tanto no viés da participação popular – afinal a direita recentemente, 28/10/2014, derrubou no congresso o decreto que abria as instituições públicas para a participação popular - .  E Principalmente na liberdade de oposição - assunto qual irei me focar nestas linhas que seguem. Que consiste basicamente em garantir que os opostos convivam e se expressem de democraticamente na sociedade, ou seja, disputar de forma racional a opinião pública.

Com a liberdade de oposições é possível ter uma sociedade em que o pensamento livre serve como balizador do Estado e este não fica refém de um ou dois grupos políticos, pois tem o advento da poliarquia, ou seja, várias fontes de opinião, oposição e de debate, deste modo também formando um glossário de posições mais fidedigno ao complexo cultural e político nacional.

Esta aí o desafio que foi escancarado nesta eleição presidencial de 2014. A minúscula margem de diferença entre os dois projetos “antagônicos” que disputaram a opinião pública abre brecha, em uma democracia não consolidada, para o discurso autoritário, revanchista e intervencionista.

A Inglaterra, apesar de não ser uma república guarda um sistema democrático interessante, onde o primeiro ministro é escolhido pelo partido que alcançou maior número de cadeiras no parlamento. E de lá vem o exemplo necessário a este caso concreto. O parlamento britânico possui 650 assentos, dos quais o Partido conservador –  ocupou, nas ultimas eleições gerais onde foi a agremiação mais votada, 306 cadeiras, ou seja, menos da metade da câmara e menos da metade dos votos válidos.  Por esta, apesar de ser uma monarquia é uma democracia consolidada não houve o que se falar em rompimento de ordem constitucional.

Este exemplo de livre oposição e de não hegemonia política pode ser percebido em outras eleições e sistemas do mundo, como na França em que o socialista Hollande foi eleito com 52,3% dos votos válidos.

Cabe ressaltar que a superação deste ponto não é algo exclusivo dos europeus e das democracias seculares, inclusive para q os vira-latas não latam neste ponto.  A pequena irmã Bolívia recentemente passou por um grande momento de crise em que a alternativa autoritária foi posta em marcha após a segunda vitória do presidente Evo Morales nas urnas em 2005, que inclusive quase causou a divisão do país em um plebiscito unilateral nos departamentos (estados) da “meia-lua” em detrimento dos departamentos andinos, tradicionalmente mais pobres. No caso em questão o presidente Evo Morales não apenas conseguiu contornar a situação, garantindo a unidade nacional com auxilio diplomático da UNASUL, no vizinho andino como também inaugurou um novo momento no constitucionalismo mundial ao fazer do estado Plurinacional uma realidade positivada, qual hoje é defendida inclusive pela direita boliviana.  Em novembro deve-se confirmar a vitória com mais de 60% dos votos válidos para o terceiro mandato do ex-líder indígena a frente do país, inclusive com vitória nos departamentos onde os conservadores sempre foram hegemônicos.

Há, portanto, uma necessidade de um novo salto na democracia brasileira para a sua efetiva consolidação: A construção da livre oposição como um ônus e um bônus do Estado Democrático de Direito. Tal pensamento só será internado na sociedade se as lideranças políticas de alta cúpula e de base compreenderem a sua importância.







Daniel Gaspar

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O dia em que a História venceu a Democracia. (Luto)


Eis que nove anos depois a tragédia faz olhos do país inteiro sangrarem pela perda de um líder.  Eduardo Campos não apenas deu uma nova cara a Pernambuco ou estava reformando a identidade do PSB, seu partido, ele era um novo contraponto na política brasileira.

Marcado pela sua capacidade de articular seus desejos, um personalismo forte e uma coragem típica da juventude, Eduardo Campos fez sua trajetória baseado no respeito a seus aliados e o seu amor por seu povo.  Não por acaso, em seu ultimo ano de governo em Pernambuco ele ostentava 91% de aprovação popular a seu governo – ISSO É OSTENTAÇÃO-.  Mais do que a sua irreverência e o possível parentesco com Chico Boarque, o legítimo neto de Arraes trazia consigo 500 anos de história e de luta do povo nordestino.  Era um político de personalidade forte, não gostava nem de ser contrariado e nem aceitava insubordinação de seus comandados, um verdadeiro coronel nordestino, porém, governava olhando para os que passavam fome e também para aqueles que não tiveram as suas oportunidades na vida, um socialista, ao mesmo passo que permanecia extasiado em entrar em debates com opositores, para se testar e por vezes humilhar os concorrentes, face de um republicano.

Não sou seu partidário, nem seria seu eleitor nestas eleições.  Seus movimentos recentes denotam uma grande habilidade política e uma autoconfiança impressionante.  Certamente, não acreditava vencer nestas eleições, porém sim se firmar como liderança de um novo campo político no país, se seria de esquerda ou direita a história ainda nos contaria.  Mas ao invés disso, ela preferiu leva-lo consigo para reino dos imortais, onde sentará ao lado de seu avô Miguel para ouvir as histórias de seu conterrâneo e correligionário Ariano Suassuna sobre as ruas, poéticas, de Recife.

Se você ainda não entende por que o luto se abateu sobre toda a classe política nacional, inimigos inveterados, e também por que o povo chora pelas ruas de Recife a Petrolina: Pergunte a quem viveu e viu o renascimento do leão do nordeste.  Certamente eu não sou a pessoa mais indicada para lhe explicar.

Hoje Eduardo Campos morreu e entrou na história, a Democracia perdeu um guerreiro e a esquerda uma jovem promessa.

Descanse em Paz Governador.

Daniel da Costa Gaspar
Diretor de Movimento Estudantil do Centro Acadêmico Sobral Pinto – CASP/PUCPR.
Fundação Maurício Grabois - PR