Bate forte minha Curimba
Bate forte esse Tambor
Batam palma cm alegria
Que a gira do Terreiro Começou!
Canta mais alto pra dançar!
Sinta o batuque no Coração
Todos Sabem e ninguem pode negar Do Tio Antônio, A Curimba de Tradição!
Eu vim pra louvar a Xangô! (CAO)
Meu pai de justiça e proteção
E com a força
de São Jorge
Irei derrotar qualquer Dragão!
Bate forte minha Curimba
Bate forte esse Tambor
Batam palma cm alegria
Que a gira do Terreiro Começou!
Eu vim no Amor de Oxum
Na cachoeira eu vim me banhar
E vou pedir a Yemanjá
Um porto seguro p poder Ancorar
Bate forte minha Curimba
Bate forte esse Tambor
Batam palma cm alegria
Que a gira do Terreiro Começou!
E nem na mata
mais fechada
Eu sei que nao irei me perder
Por que Oxossi, rei-caçador
Vem de Aruanda me Proteger!
Eu vou voar
Sem medo algum
Nos ventos de mamãe Oya!
Eparrey Yansã Guerreira
Dona dos ventos de Norte a Sul!
Bate forte minha Curimba
Bate forte esse Tambor
Batam palma cm alegria
Que a gira do Terreiro Começou!
E agradeço a Oxalá
Pelo mundo que Zambi criou!
e sou grato a Cada Exu
E pomba-gira que aqui trabalhou
Vencendo todo o preconceito
Vou viver a minha fé
Pela força dos Orixás
Filho de Umbanda quando cai, cai de pé!
Bate forte minha Curimba
Bate forte esse Tambor
Batam palma cm alegria
Que a gira do Terreiro Começou!
sexta-feira, 28 de março de 2014
terça-feira, 18 de março de 2014
De Chico a Caetano.
o Cinza de Curitiba vai dando lugar ao breu da noite
Sigo aqui sentado ouvindo Leila Pinheiro.
pensando no que teria feito primeiro
pra meu coração não viver esse açoite...
Pensei que daria tempo,
que seria possível...
Pensei que haveria o momento
que seria plausível...
judiei do meu próprio sentimento
por acreditar as verdades venceriam
qualquer mentira de uma tarde de setembro
me venci, me perdi, por não estar atento...
E agora quero correr
de Chico a Caetano
decorar cada frase sem engano
pra não te perder
De Chico a Caetano
Eu te amo
De Chico a Caetano
Eu me dano...
De Caetano a Chico
Eu me repito
E por Chico
Eu não desisto
quero viver cada segundo
tendo você no meu Mundo.
Sigo aqui sentado ouvindo Leila Pinheiro.
pensando no que teria feito primeiro
pra meu coração não viver esse açoite...
Pensei que daria tempo,
que seria possível...
Pensei que haveria o momento
que seria plausível...
judiei do meu próprio sentimento
por acreditar as verdades venceriam
qualquer mentira de uma tarde de setembro
me venci, me perdi, por não estar atento...
E agora quero correr
de Chico a Caetano
decorar cada frase sem engano
pra não te perder
De Chico a Caetano
Eu te amo
De Chico a Caetano
Eu me dano...
De Caetano a Chico
Eu me repito
E por Chico
Eu não desisto
quero viver cada segundo
tendo você no meu Mundo.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Egalité, fraternité liberte, pelo direito do pobre de dar um Rolê.
Antes de qualquer cosia
quero advertir que este não é um texto de científico, apenas um simples e
singela opinião. O título também não é
meu, porém creio que seja o modo mais simples de resumir o que irei expor.
Entende-se a mais de dois
séculos que a sociedade humana se constrói a partir da luta de classes
antagônica pelo poder, uma delas, a opressora e a outra a oprimida e desde
sempre o direito teve como principal tarefa humanizar as relações de opressão,
como já advertia Helling. A elite e a
plebe sempre disputaram espaço, por vezes utilizando-se do Direito e outras
apenas sendo respaldados pela própria ignorância.
Mas o que faz a Elite ser
Elite? Bom, deste os tempos da Grécia antiga,
ateniense e espartana, isso não mudou. A
elite goza do direito ao Ócio, ao tempo livre, para se dedicar as guerras,
consumo, lazer, família, educação, política.
Com o avanço da luta de classes o povo chegou até o ócio também, direitos
trabalhistas, 8h de cargo-horaria de trabalho diário, descanso remunerado, no
Brasil o 13° Salário, férias... enfim. A
elite por sua vez viu neste momento a chance de poder arrochar a exploração
sobre o trabalhador e com os baixo salários praticados, logo o tempo de ócio do
trabalhador virou uma nova carga-horaria, emprego, para assim ampliar a renda
familiar baixa, fruto de uma educação pública de péssima qualidade, da ausência
do Estado na garantia dos direitos fundamentais de cada trabalhador, saúde,
segurança, infra estrutura. Dois
empregos, sem folga, é um modo de conseguir dar aos seus filhos uma qualidade
de vida que eles não tiveram, ou seja, ter acesso aos bens de consumo da
burguesia. Ostentar um pouco mais que um churrasco na laje do barraco.
O Capitalismo faz seus
algozes, diria o velho barbudo, e assim o fez.
Construiu uma geração de jovens que veem a ostentação como um direito de
todos e não apenas da burguesia e seus carrões, e essa juventude invadiu os
shoppings. Repetindo o que fizeram os
olhos da classe média e os filhos da burguesia e inventaram seu próprio Flash
Mob, ma ao invés de músicas em inglês, cantaram o funk, a sua realidade e a
realidade que desejavam ter. Fizeram a
sociedade lembrar que existe uma juventude que não está na televisão, mas que
pelas mesmas faltas de oportuniaddes de seus pais está ralando pra sobreviver e
tem orgulho disso. São mais que
estoquistas, atendentes, garçons, manobristas, operadores do luxo e do ócio
burguês, são seres humanos de sonhos e que não podem mais esperar para viver o
amanhã incerto, precisam do hoje. Afinal
quem se acostumou a correr pra sobreviver, tem pressa em ser feliz.
![]() |
| Arma em punho contra dois milksheiks. |
Neste momento histórico, a
classe-média, explorada pela burguesia e aburguesada por ignorância,
esqueceu-se completamente que não é detentora dos meios de produção, que em
julho do ano passado apanhou nas ruas junto com esses jovens e tratou de
criminalizar sua existência. Sua conduta, sem nem entender o que estava diante
de seus olhos, e novamente fez o serviço sujo da burguesia em exigir a imediata
expulsão desses jovens do tradicional território das classes de consumo, agindo
irracionalmente, vestida de racismo e de toda ilusão elitista possível.
“Mas os caras foram lá pra
roubar, gritar e fazer baderna, shopping não é lugar disso”, disse um
oleoso. Aos fatos, maioria absoluta dos roles
que ocorreram com as portas do comercio abertas nada NENHUMA OCORRÊNCIA foi
registrada pela segurança local, ainda mais, nos que por um acaso tiveram
problemas o número de ocorrências, foi Igual ao de um dia normal. Ou seja
efetivamente não trouxeram ao shopping nada mais além do eu a juventude da
periferia, um lucro na praça de alimentações e tanto de funk para o ouvido
daqueles que só ouvem Sertanejo Universitário e realmente se acham superiores e
grandes letristas, admiradores da bela poesia “AS BALADERA”.
Outro recheado de frango
disse então: “ MAS O ESTABELECIMENTO É PRIVADO E SE O DONO NÃO QUISER NÃO ENTRA”. Ledo engano jovem, se fores estudante de
direito, largue tudo e volte ao primeiro semestre. A além dos direitos fundamentais de Ir e Vir,
direito de manifestação e todos os princípios que regem o direito brasileiro e
que são positivados em nossa constituição a Lei de crimes raciais de 89, proíbe
tal conduta. Versam os arts 1° e art.
5°( olha que coincidência?) da lei 7.716/89.
“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei,
os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia,
religião ou procedência nacional.
Art. 5º Recusar ou impedir acesso a
estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou
comprador.”
Sugiro inclusive que nós da Pontifícia Universidade Católica do Paraná marquemos um Rolê, no shopping Curitiba, e levaremos nossas baterias e cantaremos todas as nossas música, Quem irá nos censurar como o que foi feito com esses garotos? E antes que digam "Mas somos universitários e não bandidos" pergunte a si mesmo quantos traficantes também estudam em nossa universidade com todo o direito que tem?
Enfim, pelo Direito do Pobre de dar um Rolê, que haja Egalité, fraternité e
liberte.
Daniel
da Costa Gaspar
Acadêmico
5° Período C - Noturno
Diretor
de Movimento Estudantil do CASP e membro da União da Juventude Socialista.
Facebook.com/danujs
- blogspot.com/politicanoturna.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
O Ouro do Tolo e o Capital estrangeiro nas Universidades Brasileiras, simplificadamente porque somos contra.
Existem discursos que o movimento estudantil adota que por vezes parecem, ao chamado estudante-padrão, algo completamente distante de sua realidade. É o caso da ingerência do capital estrangeiro nas universidades pagas brasileiras. Mas enfim por que somos contra?
Os motivos vão muito além da Soberania Nacional ou a soberania do povo brasileiro em ter o conhecimento produzido por seus cidadãos a serviço dos interesses do povo e não de uma multi-nacional qual irá se aproveitar de nossa frágil condição financeira para ampliar as desigualdades nacionais e sociais provocando a tão conhecida "Fuga de Cérebros". O Motivo principal está na garantia da livre condução do trabalho científico.
"Nem vem, isso é Neura de Comunista" - Não meu nobre coxinha, esta é a preocupação de quem desenvolve uma pesquisa que tem relevância social porém não tão econômica. "Mas isso é problema das ciências sociais" - não novamente sr. Recheado, isto se aplica a todas as ciências, desde a construção de um projeto de Combustíveis alternativos a gasolina a uma pesquisa constitucional. Por que as universidades de Direito mantém suas bolsas de pesquisas quase todas integradas ao direito empresarial, econômico e Ambiental em detrimento das pesquisas constitucionais ou de realidade do sistema carcerário nacional?
Ai mora o problema da falta de soberania quando se tem investimento estrangeiro, pois no final das contas quem paga diz quais são as regras e retira das instituição de ensino superior a sua autonomia sobre a pesquisa e extensão, deixando assim o tripé da universidade bambo, na verdade, fazendo com que este vire uma estaca, estática, cravada apenas no Ensino.
"Ah, mas isso é uma liberalidade da universidade, ela decide com quem faz negócios"... PEEENN errado novamente amigo Oleoso. No Brasil as IES Pagas são uma concessão do Estado Brasileiro, por tanto devem sim, antes de tudo, servir ao interesse Coletivo, Popular e tal submissão não tem nada nem de coletivo e nem de popular. Ou seja, tal liberalidade não pode ser meramente invocada para que se possa justificar submeter um instrumento de progresso do povo brasileiro - a universidade - ao interesse e especulação do interesse privado ESTRANGEIRO, fazendo com que nosso ouro do século XXI seja levado novamente por nossos colonizadores educacionais, pagando preço de tolo.
Vale lembrar também que o Capitalismo não funciona na mesma lógica da Educação, ao contrário, a Educação é a positivação e a transformação do ensino em conhecimento, enquanto o capital é meramente o lucro pela demanda. Ou seja, enquanto houver demanda pode haver investimento para que haja o lucro subsequente, porém quando acabar tal necessidade o cheque não será descontado e por tanto acabam-se ali os sonhos do pesquisador, mesmo porque na maioria dos casos 50% dos direitos da pesquisa não são do desenvolvedor e sim do financiador. O que quero dizer com isso é a educação do povo brasileiro não pode estar na mão da especulação do capital estrangeiro, pois este foi o cassino que desde 1929 vem destruindo vidas ao redor do mundo a cada quebra de bolsa de valores, afinal as crises dos ricos são sempre pagas pelos pobres. Neste Caso a crise dos financiadores será paga pelos pesquisadores.
Defendemos um sistema nacional de investimento em pesquisa e extensão, no aumento do valor das bolsas ofertadas e principalmente a ausência total e irrestrita de Capital Estrangeiro em nossas Universidades. TIREM AS MÃOS DA MINHA PUCPR!
Daniel Gaspar.
Coordenador-Geral do Núcleo Frei Tito
União da Juventude Socialista / PUCPR
União da Juventude Socialista / PUCPR
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Me desculpe...
Nesta floresta de encantos eu senti você,
Tua presença tão forte como em cada amanhecer,
Cada anoitecer com teu olhar no meu ombro...
Senti teu canto me beijando
Tua voz me acalmando
Carregada pelo vento de tua mãe
Vindo do mar de todos nós...
Vi nas estrelas a angústia da tua falta
Soturna noite,
...Breu em alta
As lágrimas que não deixei cair
Ao pensar no teu pesadelo,
No meu pesadelo das noites em rodeio
Meu coração apenas grita a angústia de não estar lá.
Me Desculpe não ter estado lá.
Me Perdoe por não ter te conhecido...
Me Desculpe por não ter te protegido quando você tanto
precisava
Me perdoe por meus caminhos tortos e sem sentido
Sou apenas um errante, filho das pedras que rolam sem rumo.
Sem saber onde foi um dia meu cume.
Peço perdão pelos relógios que não batem,
Pelos caminhos que se trancam,
Pelos atrasos do
acaso...
Preciso da desculpa da culpa de não te abraçar essa noite,
Perdão pelas poesias que não publiquei, nem te mostrei, nem
esbocei.
Mas se não perdoares este bêbado porta por faltar até
consigo mesmo,
Saiba que se escrevo é só por você.
Sei que meus contos são angustiados e eufóricos, tristes e
felizes, fortes, as vezes cruéis...
Mas entenda, quando a vida não foi, conosco, assim?
Escrevo o que vejo, um pouco do que sinto e muito do que
espero.
Mas tudo refletido em você.
Me perdoe por fazer de você minha fonte de esperanças, vida,
livros... Inspiração.
Me perdoe por precisar tanto ir para longe, por tantas
vezes, e tomar tantos caminhos sozinho,
Mas é um modo de encontrar você
Esperar que você encontre a mim, na saudade de uma noite
fria no colo de seu travesseiro quente.
Perdoe esse bufão-boêmio que desta vida só quer teu amor,
Um pouco de calor,
Aventuras com certo risco
E teu mais sincero sorriso.
Daniel Gaspar
domingo, 7 de julho de 2013
Cartas do tempo.
“A gente só percebe como o tempo passa quando ele...
passa.” Dizia Velho veterano de guerra naquele canto da
biblioteca, enquanto recordava suas aventuras e lutas em plena Europa
destruída. Ele dizia que aquele havia
sido o melhor momento da sua vida. Naquele
instante eu não compreendia como a morte, a desolação, perda de amigos, noites
e dias inteiros em combate poderiam ser as melhores partes da vida de um homem
que foi tão longe quanto aquele senhor, respeitável agente de um grande banco
estatal. Ele dizia com lágrimas nos
olhos a saudade que sentia do cheiro da guerra.
Pouco tempo depois da nossa conversa ele morreu e o tempo passou.
Me encontro aqui na mesma sala da biblioteca municipal,
apreciando os livros que escrevi e pensando em todas as histórias que não
contei... Mais ainda, recordando as
aventuras que vivi, e martirizando as que me impedir de ter. Trago hoje, em minhas mãos, um maço de cartas
antigas, todas assinadas e seladas, porem nunca enviadas... Motivo? Medo de
meus próprios sentimentos.. Porém , como
pode um escritor como eu ter medo de seus próprios sentimentos? Talvez a inconstância deles deva ser uma das
razões. Não esqueço o sorriso da menina que um dia fiz chorar por conta do meu
eu perturbado, um eu que ama e não aceita a condição humana do passageiro,
afinal o tempo passa...
Escrevi minha vida toda sobre personagens míticos,
assassinos, aventureiros, e brinquei com os sentimentos deles para assim,
brincar com os de meus leitores. Mas eu
nunca enviei estas cartas...
A velhice chegou, e muitos dos endereçados já nem estão mais
vivos... Amigos, amantes, pessoas que poderiam ser tudo na minha vida, mas
apenas deixei passar pelo medo de passar.
Hoje entendo aquele velho combatente, entendo o porque ele sorria tanto
em cada verso de sua poética memória sobre a grande guerra. Pois ele aproveitou cada pessoa como se fosse
seu último instante, viveu livre para amar e ser amado, odiar e ser odiado, tão
difenrente de mim na estabilidade de minha cadeira de balanço... A proximidade da morte o fez entender aos 20
anos o que eu só fui perceber enquanto acendia meu cachimbo hoje, aos 76
anos... Passei minha mão em minha
careca, senti minhas rugas, marcas que não pensei que viriam e que não me perdoaram. Reli, então, cada uma dessas cartas e sofri a
cada linha que faria alguém sorrir. Meu
mais belo livro, eu soluçava, ao ver que eu nunca publiquei. Mas o tempo passou...
sexta-feira, 3 de maio de 2013
A Encruzilhada
Chegamos finalmente naquela encruzilhada, algumas horas atrasados, pela lua perto da meia noite... Nada nos acompanhava além da luz das estrelas e lanternas, e que lua, nunca vi tão linda e tão redonda, basicamente iluminava o caminho a nossa frente sem auxílio de nossas fracas luzes...
Aproveitamos o ponto conhecido para respirar antes de seguir até a caverna mais ao norte onde poderíamos dormir tranquilamente. Nossas pernas latejavam de tantos quilômetros andados em ritmo forte, porém ineficiente. As mochilas é obvio que nem pesavam mais seus 20 quilos originais, porém já faziam parte de nossos corpos. Sentados na encruzilhada ouvíamos o som do rio ao longe e um estranho cheiro de tabaco permeava o ar... Logo levantamos.
Iniciamos novamente a caminhada, como meu TOC manda, nos primeiros 20 passos abri minha bússola para conferir o que já sabia, porém sua seta não parava, rodava sem destino ou posição enquanto o cheiro de tabaco aumentava. Confesso que aquele caminho tão familiar durante o dia era muito mais estranho pela madrugada. Então parei, senti que algo me congelou e não era o vento gelado dos montes a essa época do ano, respirava fundo enquanto ouvia os passos de meus amigos pararem também... O erro de olhar para trás foi inevitável e no meio de uma fumaça de tabaco, vinda de um grande charuto surgia uma figura, capa e cartolas pretas, com detalhes em vermelho e uma camisa branca e de babados... A voz era suave porém aterradora e eu não sabia como responde-lo a sua simples indagação: "Boa Noite? Passar pela minha encruzilhada a essa hora requer coragem que poucos tem, achar o caminho necessita equilíbrio e o destino tem de ser a paz.". Meu sangue quase parava a cada uma de suas palavras, reuni forças e apenas disse que precisávamos chegar a caverna para descansar.
A figura vinha se aproximando, andando lentamente como quem calcula cada passo de olhos fechados, por não precisar ver o caminho. Respondeu-me tirando o charuto da boca e puxando uma longa bengala das costas "O caminho é simples neste caso e posso lhe mostrar sem dificuldade, pois certamente sozinhos não chegarão lá, lhes peço apenas um pouco da cachaça que vós trazeis...".
Me virei e respondi apenas pelo medo que me tomava e corri, corri sem ver para onde, corri como se minha vida dependesse disso em direção ao barulho do rio. Ouvia outros paços mas nem pensava em descobrir de quem eram, não sei se abandonei, fui abandonado ou seguido por meus amigos, apenas sei que segui para um canto. O cheiro do tabaco se intensificava e eu nem via mais em que pedra pisava, até que acordei na caverna... cabeça enfaixada, sem minha cachaça mineira, cheirando a cavalo e desnorteado. Meus amigos chegaram pela manhã, tranquilos e mais limpos que quando os deixei.
Aproveitamos o ponto conhecido para respirar antes de seguir até a caverna mais ao norte onde poderíamos dormir tranquilamente. Nossas pernas latejavam de tantos quilômetros andados em ritmo forte, porém ineficiente. As mochilas é obvio que nem pesavam mais seus 20 quilos originais, porém já faziam parte de nossos corpos. Sentados na encruzilhada ouvíamos o som do rio ao longe e um estranho cheiro de tabaco permeava o ar... Logo levantamos.
Iniciamos novamente a caminhada, como meu TOC manda, nos primeiros 20 passos abri minha bússola para conferir o que já sabia, porém sua seta não parava, rodava sem destino ou posição enquanto o cheiro de tabaco aumentava. Confesso que aquele caminho tão familiar durante o dia era muito mais estranho pela madrugada. Então parei, senti que algo me congelou e não era o vento gelado dos montes a essa época do ano, respirava fundo enquanto ouvia os passos de meus amigos pararem também... O erro de olhar para trás foi inevitável e no meio de uma fumaça de tabaco, vinda de um grande charuto surgia uma figura, capa e cartolas pretas, com detalhes em vermelho e uma camisa branca e de babados... A voz era suave porém aterradora e eu não sabia como responde-lo a sua simples indagação: "Boa Noite? Passar pela minha encruzilhada a essa hora requer coragem que poucos tem, achar o caminho necessita equilíbrio e o destino tem de ser a paz.". Meu sangue quase parava a cada uma de suas palavras, reuni forças e apenas disse que precisávamos chegar a caverna para descansar.
A figura vinha se aproximando, andando lentamente como quem calcula cada passo de olhos fechados, por não precisar ver o caminho. Respondeu-me tirando o charuto da boca e puxando uma longa bengala das costas "O caminho é simples neste caso e posso lhe mostrar sem dificuldade, pois certamente sozinhos não chegarão lá, lhes peço apenas um pouco da cachaça que vós trazeis...".
Me virei e respondi apenas pelo medo que me tomava e corri, corri sem ver para onde, corri como se minha vida dependesse disso em direção ao barulho do rio. Ouvia outros paços mas nem pensava em descobrir de quem eram, não sei se abandonei, fui abandonado ou seguido por meus amigos, apenas sei que segui para um canto. O cheiro do tabaco se intensificava e eu nem via mais em que pedra pisava, até que acordei na caverna... cabeça enfaixada, sem minha cachaça mineira, cheirando a cavalo e desnorteado. Meus amigos chegaram pela manhã, tranquilos e mais limpos que quando os deixei.
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