Se os ventos do norte não movem moinhos, o que me trás aqui novamente?
As alvoradas do verde?
as amizades que nunca tive?
O que me trás de volta a minha terra?
Assim é se sentir longe de si mesmo...
Sou um estrangeiro na terra q me viu nascer.
Sou daqui mas não sou de lugar nenhum
Afinal quem sou eu?
O que corre em minhas veias além de meu Sangue Latino?
Que sangue é esse que não me leva a lugar nenhum?
Estamos no mesmo ritmo, porem em compassos diferentes.
o que falta entre nós?
Quem sabe um pouco de afinação...
um pouco de mais um do outro...
Porque não conheço você que eu conheço tão bem?
Porque você não me aceita como o filho que a casa retorna?
Perder o rastro, perder o caminho, perder...
Mas ser tirado.
A dor não é pelo amanhecer que não verei
é por não ter visto o suficiente em minha breve vida.
Sou mais do que 20 anos de sonho e de pura América do Sul.
Sou a vida sem tudo o que mais amei
Sou a vida sem teus encantos
A Vida sem teus cantos de amazônia.
Eu te amo, por que não posso te ter?
Por que a noite dói tanto se estou aqui tentando ver teu rio?
Sou Mais do que 20 anos de América do Sul.
Sou o que não se pode recuperar, sou a noite perdida
o riso não rido, a dança não dançada, o canto sem canto,
A Bola não jogada, o amor não amado, a vida sem Pará.
sábado, 22 de dezembro de 2012
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Amor de terreiro.
Que é você que dança, que roda e que canta nessa gira? Não lembro de te ver por aqui... doce mistério. Enfim esse terreiro anda tão movimentado que mal reconheço os velhos rostos.
Mas para meu desespero a cada sexta a noite você está lá, com seu sorriso de Ere próximo a nosso congá. Como de costume, ao final de toda gira, encontrar os amigos no bar e advinha quem está lá?
Assim fica difícil quando você me olha e me enquadra em um doce requebrado
Vamos ao samba sambá. Vamos ao samba cantar.
Vamos ao samba colorir a noite com as cores dos orixás.
Por que você segue com esse olhar fixo, quase me fazendo parar de batucar. Me deixando com esse nó na garganta, afinal quem é você que não me deixa nem mais sonhar?
Nova semana, tanto tempo dessa aflição e porque ninguém sabe nem te identificar?
Morena-doce dos cabelos cacheados e do cheiro de chocolate. Preciso ao menos saber quem é você, por que você só aparece quando o atabaque bate forte?
Sou filho de Oxossi, por que afinal eu deveria me importar? Enfim, essa noite isso vai acabar... Não tirei o olho de ti, não deixei você fugir e quando saiu, fui atrás de teus passos. Levado pelo som de teu cheiro até atrás da nossa grande tenda, de boca a floresta, afinal cadê você? Olho para todos os lados e não a vejo, vou Mata a dentro e aqui sinto o vento forte, sinto a água que sobe e sua sobra no luar finalmente, não tão distante quanto eu poderia imaginar. Firmo o passo, chamo sua atenção, digo que é perigoso onde estás, mas nenhum músculo de seu corpo se move, até que ao chegar mais perto, sinto o frio imenso vindo de sua pele e então nossos olhos se veem finalmente... São mais lindos que eu podia imaginar.
Em plena mata começamos a dançar ao som das folhas que são sopradas pelos ventos, o batuque do terreiro parece estar mais perto, e de passo em passo, vamos girando juntos até a beira do rio. Sinto coo se fossemos apenas um corpo, a dança é natural, sensação que eu, Ogam, nunca havia sentido... Agora que estou entregue e seus braços e você nos meus, lhe giro e tres passos e sem deixar o pé encostar no rio de mamãe Oxum lhe chamo ao primeiro beijo. Porem antes de nossas peles se tocarem o atabaque para, os ventos cessam, as folhas caem e a luz te tira de meus braços, caio nas águas, respiro e te sinto longe, e apenas ouço sua voz e um cântico lindo por sobre as águas, por baixo dos ventos.
Não sei o que houve, se fora verdade, se fora um chamado dos orixás, ou a pomba se divertindo com meu coração. Sei que a cerveja não tem mais o gosto da liberdade e os risos não parecem mais sinceros... Meus amigos falam que me encontraram sobre uma pedra atrás do congá, mas não era lá que eu estava... Cheirava a boi e surgi depois de dois dias sumido. Desde então nunca mais vi a Morena que só eu via. Mas continuarei a sua busca, pois sei que estas por ai, em uma roda de samba ou em uma gira distante. Ou talvez fique aqui, esperando sua volta... Talvez.
Mas para meu desespero a cada sexta a noite você está lá, com seu sorriso de Ere próximo a nosso congá. Como de costume, ao final de toda gira, encontrar os amigos no bar e advinha quem está lá?
Assim fica difícil quando você me olha e me enquadra em um doce requebrado
Vamos ao samba sambá. Vamos ao samba cantar.
Vamos ao samba colorir a noite com as cores dos orixás.
Por que você segue com esse olhar fixo, quase me fazendo parar de batucar. Me deixando com esse nó na garganta, afinal quem é você que não me deixa nem mais sonhar?
Nova semana, tanto tempo dessa aflição e porque ninguém sabe nem te identificar?
Morena-doce dos cabelos cacheados e do cheiro de chocolate. Preciso ao menos saber quem é você, por que você só aparece quando o atabaque bate forte?
Sou filho de Oxossi, por que afinal eu deveria me importar? Enfim, essa noite isso vai acabar... Não tirei o olho de ti, não deixei você fugir e quando saiu, fui atrás de teus passos. Levado pelo som de teu cheiro até atrás da nossa grande tenda, de boca a floresta, afinal cadê você? Olho para todos os lados e não a vejo, vou Mata a dentro e aqui sinto o vento forte, sinto a água que sobe e sua sobra no luar finalmente, não tão distante quanto eu poderia imaginar. Firmo o passo, chamo sua atenção, digo que é perigoso onde estás, mas nenhum músculo de seu corpo se move, até que ao chegar mais perto, sinto o frio imenso vindo de sua pele e então nossos olhos se veem finalmente... São mais lindos que eu podia imaginar.
Em plena mata começamos a dançar ao som das folhas que são sopradas pelos ventos, o batuque do terreiro parece estar mais perto, e de passo em passo, vamos girando juntos até a beira do rio. Sinto coo se fossemos apenas um corpo, a dança é natural, sensação que eu, Ogam, nunca havia sentido... Agora que estou entregue e seus braços e você nos meus, lhe giro e tres passos e sem deixar o pé encostar no rio de mamãe Oxum lhe chamo ao primeiro beijo. Porem antes de nossas peles se tocarem o atabaque para, os ventos cessam, as folhas caem e a luz te tira de meus braços, caio nas águas, respiro e te sinto longe, e apenas ouço sua voz e um cântico lindo por sobre as águas, por baixo dos ventos.
Não sei o que houve, se fora verdade, se fora um chamado dos orixás, ou a pomba se divertindo com meu coração. Sei que a cerveja não tem mais o gosto da liberdade e os risos não parecem mais sinceros... Meus amigos falam que me encontraram sobre uma pedra atrás do congá, mas não era lá que eu estava... Cheirava a boi e surgi depois de dois dias sumido. Desde então nunca mais vi a Morena que só eu via. Mas continuarei a sua busca, pois sei que estas por ai, em uma roda de samba ou em uma gira distante. Ou talvez fique aqui, esperando sua volta... Talvez.
Notas de um Batuque.
O corpo imerso na escuridão do quartoentre ventos e notas de seu braço
ouvindo e vendo o som mais sagrado.
"você é um Boêmio" disse ela
sem perceber que descrevia
o horizonte que havia
no olhar de minha janela...
de meu passado
ou meu em outro estado.
Boemia de seu Zé
Apenas quem ama sabe como é
Ter a noite a companheira
que te leva a praia e a onda que te carrega a beira.
Não falo dos bares
não falo das festas
falo da necessidade de navegar por esses mares.
de buscar tudo aquilo que de mim ainda resta.
Amar é uma condição
para não se viverem vão
por que a vida espera de nós
que não sigamos sós...
Não me julgues por meu batuque
Acredite que esse pandeiro fala mais do que eu
Afinal, isso não é um truque.
é apenas um pouco do mistério não desvendei
sobre quem na verdade sou eu.
domingo, 18 de novembro de 2012
Confissões da identidade que perdi.
Não sei qual é o gosto do tucumã...
Nunca passei no ver-o-peso para comer pupunha em uma manhã.
Não aprendi a dançar carimbó, nem siriá....
e a guitarrada eu só sei de longe identificar....
Lembro do sabor da água do tapajós na minha pele
mas nunca estive em um sairé....
Sinto falta de alter, mas não lembro como Salinas é...
Lembro de tantas músicas, ritmos e poesias
Rui Barata, Mestre Isoca e Nilson, me levam por um mundo que não sei mais do que rimas....
Não conheço o calor do frevo
e nunca vi os coqueirais de Olinda, não senti seu carnaval...
Do Baião de Gonzaga sei cada letra menos a fundamental...
talvez nada me ligue com o que escrevo.
Nunca subi o morro para ir na batida até o amanhã,
nem amanheci no arpoador...
não vi a mangueira rufar seu tambor
nem meu Flamengo campeão em pleno Maracanã.
Não sei o prazer da uma boa montaria por um caminho tropeiro,
Não ouvi o canto gauchesco e brasileiro,
pois esta terra eu não amei desde guri....
Agora, o arame é minha casa
mas o que tenho haver com a cidade que não me da asas?
Não seria hora de saber quem eu sou?
descobrir o calor das manhãs e das manhãs,
pois os das massas e maçãs eu conheço, mesmo sem saber onde vou...
Não sou mal, nem bom...
apenas sou o que me fez resistir
sou o que me fez sorrir
sou o que sobreviveu a cada noite de frio
eu sigo sendo sem ser o que o que sou.
apenas sustentando o meu próprio brio..
apenas me orgulhando do que fiz quando até quem eu mais acreditava duvidou.
Preciso me libertar, preciso me encontrar...
não aguento mais a angustia de viver sem identidade...
sem saber qual meu porto, meu cais...
preciso saciar essa vontade..
Afinal eu só quero paz...
Nunca passei no ver-o-peso para comer pupunha em uma manhã.
Não aprendi a dançar carimbó, nem siriá....
e a guitarrada eu só sei de longe identificar....
Lembro do sabor da água do tapajós na minha pele
mas nunca estive em um sairé....
Sinto falta de alter, mas não lembro como Salinas é...
Lembro de tantas músicas, ritmos e poesias
Rui Barata, Mestre Isoca e Nilson, me levam por um mundo que não sei mais do que rimas....
Não conheço o calor do frevo
e nunca vi os coqueirais de Olinda, não senti seu carnaval...
Do Baião de Gonzaga sei cada letra menos a fundamental...
talvez nada me ligue com o que escrevo.
Nunca subi o morro para ir na batida até o amanhã,
nem amanheci no arpoador...
não vi a mangueira rufar seu tambor
nem meu Flamengo campeão em pleno Maracanã.
Não sei o prazer da uma boa montaria por um caminho tropeiro,
Não ouvi o canto gauchesco e brasileiro,
pois esta terra eu não amei desde guri....
Agora, o arame é minha casa
mas o que tenho haver com a cidade que não me da asas?
Não seria hora de saber quem eu sou?
descobrir o calor das manhãs e das manhãs,
pois os das massas e maçãs eu conheço, mesmo sem saber onde vou...
Não sou mal, nem bom...
apenas sou o que me fez resistir
sou o que me fez sorrir
sou o que sobreviveu a cada noite de frio
eu sigo sendo sem ser o que o que sou.
apenas sustentando o meu próprio brio..
apenas me orgulhando do que fiz quando até quem eu mais acreditava duvidou.
Preciso me libertar, preciso me encontrar...
não aguento mais a angustia de viver sem identidade...
sem saber qual meu porto, meu cais...
preciso saciar essa vontade..
Afinal eu só quero paz...
sábado, 10 de novembro de 2012
Violões não tem coração.
Meia luz atrapalha os solos... Sempre falo isso para os donos desses bares mas eles parecem não ouvir.
É interessante estar aqui em cima, posso ver os dois playboys brigarem lá atrás por causa do rabo de saia de uma vagabunda e ainda sorrir quando ambos são retirados pelo Renato - um negão de uns 20 x10 metros- e pelo Paulinho - magrelo, baixote faixa-preta de jiu-jitsu-, nossos queridos seguranças...
Daqui de cima, vejo os homens que levam fora, vejo os primeiros bêbados que caem... vejo a guria que canta o barman... Enfim, Vejo o melhor da noite enquanto afino minha guitarra. Bom eu vejo tudo até o momento que começo a tocar... ai brother, foda-se quem ta lá em baixo, estou em pleno gozo com meu primeiro amor... suas curvas marrons amareladas, sua voz tomam todo o espaço. Podem beber, brigar, me xingar e inclusive não me pagar, pois eu estou aqui, com o meu amor...
Confesso que já tive vontade de participar e já participei das brigas, mas pra que? Pelo calor da emoção do conflito com dois desconhecidos? Foi numa dessas que eu a vi... Quem? Não faço a mínima ideia, só sei que ela sorria, só sei que vestia preto, que usava um pingente de pimenta, que seu cabelo era curto e seu olhar era tudo que eu queria... não aquela noite, mas nesta vida.... Lembro da sua pele clara, seus dedos escondidos na sapatilha tamanho 37, do jeito infantil no corpo de mulher e o ar de superioridade típico de quem sabe o tom da música que ouve. Lembro do timbre da voz dela... bom pelo menos eu acho que era dela, ao menos o canto dos anjos combinava com seu jogar de mãos ao céu e o ritmo do balançar de seus cabelos....
Nesta noite perdi um dente, ganhei uma briga e nunca mais a vi...talvez ela esteja por ai em outro bar, encantando outro guitarrista dizendo pra ele o que ela nunca disse pra mim... bom o que é fácil já que não trocamos nenhuma palavra... Enfim Sigo aqui, neste bar que hoje tem muito mais dela do que de mim, tocando meu primeiro amor como se fosse apenas isto a vida toda e esperando pelo seu primeiro descompromissado "Oi...".
É interessante estar aqui em cima, posso ver os dois playboys brigarem lá atrás por causa do rabo de saia de uma vagabunda e ainda sorrir quando ambos são retirados pelo Renato - um negão de uns 20 x10 metros- e pelo Paulinho - magrelo, baixote faixa-preta de jiu-jitsu-, nossos queridos seguranças...
Daqui de cima, vejo os homens que levam fora, vejo os primeiros bêbados que caem... vejo a guria que canta o barman... Enfim, Vejo o melhor da noite enquanto afino minha guitarra. Bom eu vejo tudo até o momento que começo a tocar... ai brother, foda-se quem ta lá em baixo, estou em pleno gozo com meu primeiro amor... suas curvas marrons amareladas, sua voz tomam todo o espaço. Podem beber, brigar, me xingar e inclusive não me pagar, pois eu estou aqui, com o meu amor...
Confesso que já tive vontade de participar e já participei das brigas, mas pra que? Pelo calor da emoção do conflito com dois desconhecidos? Foi numa dessas que eu a vi... Quem? Não faço a mínima ideia, só sei que ela sorria, só sei que vestia preto, que usava um pingente de pimenta, que seu cabelo era curto e seu olhar era tudo que eu queria... não aquela noite, mas nesta vida.... Lembro da sua pele clara, seus dedos escondidos na sapatilha tamanho 37, do jeito infantil no corpo de mulher e o ar de superioridade típico de quem sabe o tom da música que ouve. Lembro do timbre da voz dela... bom pelo menos eu acho que era dela, ao menos o canto dos anjos combinava com seu jogar de mãos ao céu e o ritmo do balançar de seus cabelos....
Nesta noite perdi um dente, ganhei uma briga e nunca mais a vi...talvez ela esteja por ai em outro bar, encantando outro guitarrista dizendo pra ele o que ela nunca disse pra mim... bom o que é fácil já que não trocamos nenhuma palavra... Enfim Sigo aqui, neste bar que hoje tem muito mais dela do que de mim, tocando meu primeiro amor como se fosse apenas isto a vida toda e esperando pelo seu primeiro descompromissado "Oi...".
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Rascunho de Saudade em Saudade e a noite estrelada sem você.
Um gosto estranho que da boca não sai...
Um gosto Frio e amargo...
Uma praia deserta, sem vida ou brincadeiras...
Um sol a meia luz...
Saudade... Vontade...
Difícil pensar? imagine sentir...
Acreditar que um sorriso virou todos os meus pensamentos.
Sentir que as palavras faltam quando fecho meus olhos e tenho teu olhar... para simplesmente dizer que...
Talvez...
Repensando agora...
Não fosse Julho de 83.
Mas quando amar não é o suficiente,
Quando a vida deveria ser tão mais fácil...
poderia só restar eu e você...
Nesse vento do mar, Nessas estrelas que gostam tanto de brilhar...
Em tudo tua voz me acompanha rumo ao horizonte...
Nessa noite que não quer acabar e a estrada que só parece aumentar..
Não Adianta correr para não chegar... Mas mesmo assim eu preciso tentar...
Tentar ter para mim a sua calma, o seu sorriso, os seus problemas e desafios
quem sabe o seu cuidado, para me livrar do amargo gosto da minha boca pelas manhãs
ou também o seu amor, para aquecer meu coração gelado das horas, dias, semanas, meses ou anos sem você.
Daniel Gaspar
domingo, 10 de junho de 2012
Liberdade de Imprensa x Liberdade de Expressão
Na composição contemporânea dos Estados democráticos um dos principais pilares é a chamada Liberdade de Imprensa, consolidada na nossa Carta Magna no seu Capítulo 5°, o que compreende do artigo 220 ao art. 230. Porém a Liberdade de imprensa muitas vezes acaba por entrar em choque com outros princípios constitucionais, como os previstos no art. 5° de nossa Carta Magna qual fala das liberdades individuais. Ao decorrer de mais de 20 anos de um Estado “Democrático de Direito” no Brasil, infelizmente percebemos que a Liberdade de imprensa não quer dizer Liberdade de Expressão, por vezes a primeira é um fator inibente da segunda, e que pela falta de regulamentação sobre o campo a comunicação social vira um ambiente fértil para mafiosos erguerem seus impérios.
Primeiramente o que é a “liberdade” qual tratamos aqui, ainda
mais considerando que teremos de abordar dois conceitos difererentes?
Primeiramente a liberdade da pessoa (Humana ou jurídica)
Apesar de anarquistas como Bakunim tratarem a mesma como “A revolta do
indivíduo contra todo tipo de autoridade, divina, coletiva ou individual”
traremos algo mais palpável e aceito pela doutrina do Direito. Para o jurista belga François Ost “o homem
liberto seria aquele que junto com seu líder construiu regras que normatizam a
sua sociedade, assim é a lei autonômica, a lei discutida.”
Em segundo plano, mas
não menos importante, temos de enunciar o que é a Liberdade de pensamento e
expressão. É obvio que esta bebe da
fonte apontada por Ost na primeira conceituação, afinal é inaceitavel para a
sociedade e para o Estado – visto a vontade popular positivada – um sujeito
usar da “liberdade de expressão” para justificar ataques verbais a determinado
grupo étnico ou apologia ao nazismo. A
liberdade de pensamento é inata, pois a partir dela decorre-se toda a
construção do indivíduo, este ponto serve para curiosamente unir a filosofia de
Descartes por sua afirmação de “Cogito ergo sum” e o existencialismo de Sartre.
Ambos acabam por aceitar que o pensamento é o que da início a nossa existência
racional. Portanto a liberdade do pensar é natural, não podendo deste modo o
homem impedir que o outro exerça esta função básica. Tal tentativa ganhou voz na doutrina do
direito internacional com jurista alemão Günther Jakobs que desenvolveu a
chamada “Teoria Penal do Inimigo”, qual prega que determinados sujeitos por não
reconhecerem o Estado e não o respeita-lo devem ser punidos preventivamente, ou
seja um sistema penal que usaria o jus puniere do Estado contra o cidadão pelo
o que ele é, ou o Estado através do seu agente acha que ele é e não por suas
ações propriamente, o que poderia recriar os horrores como o do holocausto com
pessoas sendo mortas por serem e não por fazerem, por serem “inimigas do
Estado”. Felizmente tal concepção já foi
completamente superada. Porém o campo da
Liberdade de pensamento pode entrar em confronto com a Liberdade do outro e
seus direitos positivados, quando este deixa de ser apenas pensamento e toma
forma no mundo material, tanto através de palavras escritas ou proferidas
quanto condutas do agente.
Portanto o limite da Liberdade de Expressão
está nas fronteiras da legalidade prevista para cada conduta e se considerarmos
que a expressão é a base da Imprensa a tal Liberdade desta está com seus
poderes vinculadas aos mesmos princípios e normas jurídicas.
Nossa nação ainda
carece de mecanismos que transformem a comunicação em um instrumento de
manifestação popular e não de controle de massas. Infelizmente no Brasil, meia-dúzia de famílias
controlam sozinhas as informações que chegam a 200mi de brasileiros diariamente
e é corriqueiro que os interesses pessoais destes patrões sejam expostos como
grande verdade nacional. Em um pacto
quase diabólico as grandes empresas de
comunicação transformam heróis em vilões e vice-versa e ainda conseguem execrar
qualquer discussão sobre um tema que a comprometa, exemplo disso que vivemos
hoje é que nenhuma das grandes emissoras noticía a greve generalizada em 48
universidades federais e ainda se protegem como um cartel que conspira contra a
população. O Jornal “o Globo” no último
dia 8 de junho estampou em sua manchete principal que o TCU investigaria as
contas da UNE[1],
porém nunca falou – e nem falará – sobre o
do a exigência do mesmo TCU que a Fundação Roberto Marinho devolva 18mi
de reais ao ministério do Turismo. A falta de regulamentação faz com que estes
coronéis usem da “liberdade de imprensa” para abafar a expressão popular, criminalizando por diversas vezes a Livre Expressão dos cidadãos e a sociedade
civil organizada dentro dos movimentos sociais e ainda façam da república sua
refém, exatamente por não terem nenhuma responsabilidade sobre o que assinam e
publicam.
A Liberdade de
expressão e de imprensa são necessárias para a construção de um Estado
Democrático de Direito, porém a imprensa não pode ser o Quarto Poder da República,
mas deve estar a serviço do povo e agir em sua defesa, portanto para garantir a
liberdade de pensar e se expressar ao povo. Deve-se regulamentar as ações da
mídia transformando esta em um instrumento revolucionário e não de opressão do
sistema econômico-ideológico. A Imprensa
deve garantir o acesso a informação e não restringi-la ou peneirar-la a partir do
interesse de teus caciques.
[1]
União Nacional dos Estudantes – A Nota oficial que a mídia não noticiou segue
anexo. http://www.une.org.br
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